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VIDA SE FAZ POR CONTÁGIO

Meu Diário
20/03/2010 10h10
2003 _ continuação
Janeiro

Preciso do silêncio das páginas,
para preenchê-las com o verdadeiro.

Deus em mim: o self, o deus interior.

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"Senhor, eles não sabem o dizem ou o que fazem".
Este é o maior pecado, falta de consciência.

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O processo de individuação: "Muitos são os chamados, poucos os escolhidos".
A individuação é sempre possível, mas poucos a alcançam.

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Em 2002 cuidei pouco de meus caminhos profundos, no processo de verder a casa da H.  Em 2003 trabalhar bastante o meu interior, e minha maneira de estar na vida.

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Dia 23 de janeiro chego da Espanha.

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Nascem os Atravessadores, em Novembro fui ao México, no encontro da Mulheres Poetas.

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Sonho do julgamente com tia Eunice:

"Não se preocupe tia, é a gente mesmo que se perdoa."

XXXXXXXX

Sonho com M.
Éramos curadores.
Ele me olhava carinhosamente,
sinto-me amada por ele.

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pelo meu diário, vejo que me preocupava muito com o que os outros faziam ou diziam.
Nesse sete anos dei um passo muito grande nesta questão _ me libertei muito. Trabalhei muito nisso.

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Mamãe começa a ficar mais fraquinha, e telefonava desamparada. Me doía muito.
Meu relacionamento com mamãe mudou, me aproximei dela, resolvi várias questões difíceis. Mas, me irritava também muitas vezes, quando ela queria garantias:

"Como é o nome desta rua? E isso sem parar, quando saía de carro com ela, muitas vezes para passeios.

XXXXXXXX









Publicado por Eliane Accioly em 20/03/2010 às 10h10
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19/03/2010 20h59
Ano de 2003: acontecimentos
Balanço do ano que passou:

A casa de H. foi vendida. Entrei muito nisto para concretizar a venda. Adoeci. Novamente fiquei grudada no passado. Só eu sei como é isto. Voltou a ilusão de resolver e segurar todas as situações de minha família original.

Planejei a mudança delas com M.
, elas fizeram tudo da cabeça delas.

Fui pra Espanha de um jeito e voltei do outro. Fui controladora e mental, voltei processo, fluidez. Em 2001 e 2002 segurei muitas coisas, pessoas, situações: tive a ilusão de segurar.

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Nossa Senhora dos Raios
livra-me do mals entendidos
embrulha-me
em silêncio gaivota

                                                                 XXXXXXXXXXXXXXXX

De onde brotam os poemas?
Em que grotas invisíveis se escondem?

                                                                 XXXXXXXXXXXXXXXX

A anárquica dança
das lembranças
esvazia o passado

                                                             XXXXXXXXXXXXXXXXXX

Santa chuva:
livra-me da prisão
dos plantões


                                                          XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


O passado bate asas
e voa

Renasço penugem
beija-flor

                                                       XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Entre trovões e raios
chovo andorinha

                                                        XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Nossa Senhora do Atropelo,
livra-me da doença
antropomórfica, multiplica-me

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


Entrei na chuva
molhei

O pensamento esvaziou

Brinquei com as gaivotas

Corri cegamente
em direção à garça

Acreditando em minha existência,
a garça voou

Verti um jorro quente de urina,
soltando
mais alguns parafusos

Tuddo isto junto
ao mar

XXXXXXXXXXXXXXXXXX

Dentro da leminiscata
deixo-me tratar

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Publicado por Eliane Accioly em 19/03/2010 às 20h59
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15/03/2010 08h21
PINTURAS
Pinturas _ segundo semestre de 2009

Oficinas no atelier de Sergio Fingerman.

SF meu professor, contou-me que meu trabalho deu um salto qualitativo. E comparou dois trabalhos meus, diferentes entre si.

Chamarei uma tela A, e a outra B.

Na Tela A:

A pintura está "menos pronta", é figurativa, e no entanto, mais sofisticada, as cores mais trabalhadas. Tem "muito assunto".

Para mim, o que SF chama de "muito assunto", no meu entender, são pinceladas diferentes e não uniformes. Será que poderia trabalhar mais um pouco calando as pinceladas? Chapando a cor do fundo? SF falou que a tela está "pronta". O "menos pronto " é parte dela.

A Tela B:

Está "mais pronta". E no entanto, as cores são mais brutas que as da tela A. O espaço criado apresenta soluções importantes. Esta tela revela o que SF chama de camadas de tempo. Aqui se apresenta um tempo e um espaço.

Publicado por Eliane Accioly em 15/03/2010 às 08h21
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04/02/2010 19h13
Viagem rumo à Dinda
Fragmentos


No avião, ida:

O passado me vem neste momento de puro presente _ na saudade de um tempo dos avós. Acho que é porque estou indo ver a Dinda _ levando uma mala de presentes.

No aeroporto de São Paulo, madrugada, uma mulher toca"chorinho" ao piano, me lembrando o piano de mamãe, as músicas que ela  tocava e ainda toca. Não sou mais a menina, pelo contrário. Me deixar levar pela música da vida. O chorinho me dá alegria e tristeza.

Viajo sozinha, e quero estar só. Nem olhei para a pessoa ao lado. Vontade de rir.  Pareço estranha? Meditei por trinta minutos.

O voo atrazou. Espero não dar trabalho à N. Ela contou que arrumou uma faxineira. C. estará no aeroporto? Encontro com minhas amigas de colégio. Expectativa. Brasil Central, sou do Brasil Central, e voltar para esse lugar mexe comigo.
Quando me vem a angústia me consolo pensando: "Estou nesse mundo, mas não pertenço a ele".

A busca do movimento também nos desenhos que faço ultimamente. Desenhos de "somagramas". Querer o movimento.  Não me preocupar com o que o o outro pensa é delicioso. Clima de viagem, uma festa. A viagem à Gioânia, um plano realizado.

O avião desce em Uberlândia. Não tenho vontade nenhuma de ver ninguém daqui. mas me dá vontade ligar para MM, hoje à noite ligo para ela.

N. prometeu fazer arroz de piqui para mim. promessa e convite. Não comer demais, não beber demais. meus sustos, justo eu que tenho fome, e que escolho a fome.

Agora passamos por nuvens, trepidou, sensação de passar por quebra molas, sem reduzir a velocidade. No tranco. Prepara para a descida.  Respiro e procuro relaxar, tento não segurar o braço da poltrona.

Ontem percebi que é possivel perceber diferentes sensações ao mesmo tempo: estava exasperada e tranquila. Louco, não é? Vi que podia "escorregar" _ se eu quisesse _ para o destempero. Ri comigo mesmo porque eu não queria me destemperar. Vi que podia "segurar" a sensação de tranquilidade, de harmonia. E fiz isso.  Quando falei, prestei atenção ao meu tom de voz. Estava brava e contida. Foi bom.

                                               @@@

No aeroporto, em Goiânia:

N. e C. estavam me aguardando.
Que delícia abraça-las. Nos conhecemos de meninas. Agora três mulheres maduras, com filhos e netos.

                                             @@@

Almoçamos as três, na casa de N. Peguei a receita do suflê de milho e do frango ao catupiri. Não tinha arroz de piqui. Falamos muito em Jan., nossa querida amiga que morreu tão cedo. No seu filho e no marido que deixou viuvo. Ela me escreveu uns dias antes de morrer uma carta alegre, estava feliz e realizada com a maternidade e o casamento.

Contamos de nós umas para as outras. Colocamos o papo em dia, na medida do possível. Dos desencontros. Das dores, das perdas, e também dos momentos bons.

Agora estou no meu quarto, acordada e sozinha. Estou aqui em Goiás, diferente de estar em casa, com o J.

                                           @@@

Manhã do dia seguinte, N. ainda dorme. Saí para caminhar. Na caminhada percebo meu lado esquerdo leve, e o direito pesado. Ao voltar desenho somagramas. (Somagramas são fotografias de como se está sentindo a si, naquele momento. Um instrumento da Anatomia Emocional).

Voltei para casa, N. está arrumando o café. Ajudo a preparar nossa refeição. Tomamos café. Vamos viajar de carro até uma cidadezinha próxima, para ver a Dinda.
                                               @@@
Ao chegarmos, estávamos procurando a rua, quando lemos uma placa na frente de uma casa: "Doceira Hilda".

 _ É aqui, quase gritei, só pode haver uma Hilda aqui neste lugarejo.

Era ali mesmo. Um terreno bom, e uma boa casa, com fogão a lenha, jardim e amplo quintal, cheio de árvores frutíferas. Dinda está morando com Hilda, sua sobrinha, filha da Mercês.

Dinda tem o quarto dela, com o criado mudo e o guarda roupa da casa da vovó Sinhá. Sua cama tem mosquiteiro.

Dinda está uma sombrinha, nos abraçamos longamente, deitei com ela na cama, ela ficou passando a mão pelos meus cabelos, e eu chorei, enterrando o rosto no braço dela. Quase não há mais corpo. Não perguntei a ela se tem medo de morrer.

Almoçamos na Hilda. Dinda falou que Hilda a mima muito, que faz broa de fuba todo dia, na hora do lanche. Li para Dinda a carta de mamãe. Falei para ela que se ficasse três dias seria pouco. De um jeito é verdade, do outro não. Não conseguiria ficar mais do que aquelas horas. Será a última vez que verei minha Dinda nesta vida? A Dinda é uma das pessoas mais antigas para mim, e entre nós há um grande amor. Fiquei muito grata à N. por ter me acompanhado.

Dinda falou para mim:

_ Não sei se vamos nos ver mais.

Respondo:

_ Vamos sim. O amor que a gente tem uma pela outra não acaba nunca. Penso na senhora todos os dias.

Ela concordou e respondeu:

_ Eu também, pensar em você é a primeira coisa que faço quando abro os olhos.

Abracei Dinda durante um momento tão longo que durou a eternidade, e pensei: "A vida é uma viagem a morte uma passagem a gente só muda de plano".

Dinda sabia que eu sempre quiz ir à Goiás Velha, e me perguntou se eu ia lá. Não tive coragem de contar que eu ia, ela gostaria muito muito de ir comigo, mas não sairia mais daquela cama.

Mas me conhecendo como conhece ela sabia sim que eu iria lá. Por que não contei? Fiquei com medo.

                                          @@@

Reconheci o E. , sobrinho da Dinda, e meu amigo de infância, pela perna. Uma meia preta na perna que machucou há tantos e tantos anos. N. ficou impressionada. A filha do E. a Silvia, tirou o útero e teve complicações. A mãe está com ela em Goiânia.

Estamos na estrada, rodando no fusca vermelho de N. , voltando para a casa de N. Conversamos. Tantas pessoas que conhecemos em comum. Tantas pessoas que conheci sem conhecer. N. lembrou-se de um rapaz que gostou de mim e eu nem sabia. A mala em que levei os presentes para Dinda, ficou para N.

                                           @@@

N., minha querida amiga está muito doente. Sintomas sérios, corpo avariado. N. contou que se pergunta se ela é viável.  Fico triste. Na casa de Dinda havia um cachorrinho, olhando para ele me lembrei de dois cachorrinhos magnéticos que tive em pequena. Um branco e um preto. Eram o oposto um do outro, e se atraiam.

                                           @@@

Hoje é o dia do aniversário de minha neta, e estou viajando. tento falar com ela por telefone, mas o fone não atendeu. Novamente a impressão de estar em sintonias diferentes: Bem estar/paz/harmonia/riso/amor. E, mal estar. Me sinto culpada por estar nesta viagem. Procuro segurar o bem estar. Acho que uma rachadura em mim se fecha um pouco, e me perdoo ter viajado no aniversário de minha neta.

Dormi mal, uma tempestadae de intensidades. Diferentes percepções, um ponto me doi nas costas. E na alma.

                                         @@@

Estou esperando N. para irmos para Goiás Velha. Novamente poderia resvelar para a insatisfação e impaciência. Me dou conta de como esses dias são intensos para mim.

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(_ Bom Jesus dos Passos, São Francisco de Paula, Antolinda.
Nomes soltos em minhas anotações de viagem. Não me  lembro mais, hoje estamos em 2010).
 
                                          @@@

Deixo N. na pousada e vou à igraja. Um padre falou todo o tempo de sofrimento. Minha antiga rebelião volta, e me dou conta do quanto nada tenho a ver com essa mentalidade eclesiástica.

                                        @@@

(_ Marcelo Barro, Veiga Vale, Bartolomeu Bueno da Silva, Anahguera, Diabo Velho, o Caçador de Esmeralda, Ligia Velasques, ampuleta, relógio de sol, ratos, D. Maria).

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Na Igreja de São Francisco de Paula, as duas imagens de santos barrocos, esculpidas por veiga Vale. Lindas! Bom Jesus dos Passos, e São Francisco de Paula, com uma hóstica no lugar do coração.

As imagens vão ser transportadas em procissão para uma outra igreja. A Igreja de São Francisco vai ser reformada.

Os cânticos, as pessoas, as Irmandade de São Francisco, todos vestindo um manto roxo de cetim, capuz sobre os ombros, homens e mulheres.

Me sinto em plena Idade Média. O olhar assustado da mocinha morena a minha frente, de vez em quando olhando para trás. A velha a minha frente com uma menininha no colo. Penso se é de minha idade, ou até mais nova. Parece muito mais velha que eu.

Três padres no altar. Um era um "Don" _ belga? Outro mais novo sim, era belga. O terceiro um homem magro, cabelo e barba brancos e compridos.

Falava o "Don" exaltando a tristeza do Senhor dos Passos.  A via sacra, a paixão de Cristo .  Exaltando o sofrimento humano. - "É preciso sofrer", ele dizia. Fico imaginando que talvez se fustigue com silicio. Imagino se fustiga os outros, agora nos fustiga a todos. Sinto angústia, respiro e penso como é bom meditar no silêncio do meu quarto.

A igreja é linda _ pinturas antigas no teto, as duas imagens que sairão em procissão. Não há bancos, mas cadeiras de palinha pregadas uma a outra com ripas de madeira. Penso que bom ter me libertado da exaltação do sofrimento, do drama.

Volto para a pousada pela escadaria de pedra, caminho que Antolinda me ensinou. Cruzo com uma morena jovem, pergunto-lhe a direção da pousada,. ela indica, " Ali na frente". caminhamos juntas em silêncio, troca de sorrisos, mos despedimos, entro.

                                         @@@

Encontro N. Ela fala muito, percebo o qaunto se sente sozinha. Ela conhece o que é solidão. Tem medo que a filha se afaste. Percebo que também tenho medo que minhas filhas se afastem, menos a R.

                                        @@@

No voo de volta para São Paulo:

C. quebrou o pé direito. Contou que lembrou do desenho que lhe mostrei (somagrama) do peso na minha perna direita.  Ela não estava sentindo nada, ou nem percebeu, e quebrou o pé.

Sua neta Lisa falou:

_ Vovó, você mora nessa casa há tantos anos, e ainda não sabe o lugar dos móveis.

N. contou que C. tem ameaça de trombose na perna direita. A perna direita incha e fica vermelha.

A linguagem somática axistencial é um mistério no qual me inicio.  C. não compreendeu quando falei de minhas percepções.
                                          @@@

O cerrado do Triângulo Mineiro é mais trabalhado que o de Gioás. (Vista aérea).  Quando falei à Antolinda que sou de Araguari ela falou: "Já foi nosso, o Triângulo". "Sim", respondi, "o  Sertão da farinha Podre, de dona Beija". E pensei que minha Minas gerais não é a do Alferes, mas o pedaço mudado por dona Beija, expulsa de Gioás. De Minas Gerias ela não poderia ser expulsa. Doba Beija, de Araxá.

Os "pés de moleque " de Gioás Velha calçando as ruas, andar de carro neles, zonas de turbulência.

Em Goiânia estive com outra amiga, A. Fui a sua casa sozinha, N. preferiu ficar descansando. A, me recebu com muito carinho. Foi importante para mim ir lá. Estava com medo. Ela estava com as filhas, e me senti querida por ela e as meninas. Tive vontade de ficar mais, e vontade de ir embora.

Encontrei L. na cama, uma figura bonita _ não é um quadro desagradável de ver. Triste sim, o corpo está aqui, a alma, consciência, não mais. Ele assobia. O assobio. Continuo.  A dor de toda uma família.

                                             @@@

"Além do tombo, o coice". A mãe da N., segunda esta, gostava de dizer este adágio.
                             
                                              @@@

Eu e N. na estrada. Dois dias. Senador Canedo e Goiás Velha.
A beleza do Brasil Central, minha terra natal, o cerrado. Paramos num posto e N. apontou para uma mulher. Olahmos para aquela mulher por uns minutos, sem pressa. N. falou:

_ Tadinha, com os dentinhos arreganhados, sempre arreganhados. Não sei porque pobre vive rindo.

Aí, me lembrei foi de meu sorriso, depois que papai morreu. Do meu (eterno) sorriso.

                                           @@@

Fiquei sabendo um pouco da vida de três amigas: N., C. e A.
Da história das filhas de C., através de N.

_ Prender muito, e soltar... _ Diz N.

Me remeto à filha que me preocupa neste momento. A filha que agora mais me preocupa (2001). Ela sumiu. Elogiei muito o marido dela?

Me identefiquei com N. quando ela se queixa do distanciamento do netos. Estou quase em São Paulo, e quero ver minha neta hoje.

                                             @@@

Em Goiás me sinto lépida, N. estrumbicada, o joelho doendo muito. Foi muito carinho me levar por onde me levou. Em Goiás Velha andamos de taxi, na maior parte do tempo. Onde o taxi não ia, íamos a pé. O taxi ficava nos esperando, por nossa conta.

N. me levou para conhecer a casa de Bartolomeu Bueno. Dona Maria abriu a porta e nos convidou a entrar; mostrou o quarto de BB, o alçapão, a porta que dá para a varanda, e o rosto do morro. E as janelas com o olho para a rio.

Depois vimos o pátio com o poço, que é um relógio do tempo.
Então, os dois ratos apntaram, de um buraco à direita de onde estávamos. Cada um dos ratos me olhou e saiu, sem a cerimônia de quem é dono do pedaço.

Cochichei para Neila do ratos, e ela:

_ Dona Maria dever saber dos ratos.

                                            @@@

A cozinha, as pias com bancada de granito ( atuais, a casa foi mexida por dentro). A mesa e os bancos, no lugar de cadeiras, eu diria "chiques" , como em casa de decoração; observei um lugar à mesa,  com um pano de prato foraando o lugar de uma única pessoas, claro, o de dona Maria.

A mesa comprida forrada com emborrachado estampado, fundo escuro para sujar menos. Nas paredes as panelas de alumínio areadinhas, muitas. A limpesa.

Dona Maria nos oferece café, aceitamos. Depois N. me diz:

_ É falta de educação não aceitar.

Sentamos três mulheres à mesa. Dona Maria nos fala da família. Tem cinco filhos. Criou o neto gênio, poliglota,  que anda pelo mundo fazendo sucesso, ganhando dinheiro.

Vazilhas de porcelana exibidas,  numa armação que parece uma espécie de tablado, alto,  na sala de jantar. O neto envia para a avó de todos os lugares do mundo aonde vai. Reconheço um galo português amarelo com crista vermelha.

Estamos naquela casa tomando café. Três mulheres.

                                               @@@


Publicado por Eliane Accioly em 04/02/2010 às 19h13
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04/02/2010 19h08
Nasce minha neta

23 de abril de 2001.

Nasce minha Carolina.
Uma confiança maior em mim: A Claudia pode.


Neste momento pego o que é meu.
Meu momento, minha neta, minha filha mãe.
Digo sim à vida.
Digo não pegar aos problemas de Helô ou os de minha mãe.

Digo; Ter vida própria, uma vida minha, me salva.


Publicado por Eliane Accioly em 04/02/2010 às 19h08
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