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VIDA SE FAZ POR CONTÁGIO

Textos

O que acorre quando um homem na meia idade encontra uma mestra, em uma velha frágil amorosa sensível?
Resenha de Eliane Accioly.
"Minhas tardes com Margueritte".
Título original: "La Tetê en friche". França, 2010, 81 min., Drama.
Direção: Jean Becker. Elenco: Gérard Depardieu, Gisèle Casadesus, outros.

    Germain foi criado por mãe solteira e desesperada. Um menino perdido. Maltratado verbalmente pela mãe, e na escola. Qeria ser vitralista. Uma arte. A mãe o achata quando verbaliza o projeto futuro: "Não dá dinheiro! Não senhor, arruma outra coisa."
   Torna-se um "faz-tudo" bronco e iletrado, o bobo da corte entre amigos que o querem bem, e dos quais precisa, como precisamos de amigos. Algo em sua sensibilidade o faz amado pela namorada, uma linda mulher, motorneira do ônibus da pequena cidade francesa em que vive.
   Frequentava a praça da cidade às tardes, comendo o sandwiche na hora do almoço. Costumava contar os pombos do local.  Em uma tarde verbaliza alto _ "dez", e escuta alguém dizendo "dezoito!"  Olha a procura e se depara com uma velha senhora esbelta e viva.
   Foi como conheceu "Margueritte", com dois tt. Tratava-se de erro ortográfico da mãe, que o pai respeita ao registrá-la, ela conta.
Tornam-se amigos, e passam a se encontrar nas horas de almoço de Germain, entre seus afazeres e sandwiches.
   Na verdade, o pretexto para Germain, Margueritte  grande leitora. Após a leitura apaixonada do parágrafo de um escritor apaixonante, cativa Germain, que não mais pode passar sem escutar essas leituras.
   O filme se desenvolve lindamente, entre as reflexões de Germain _ "Como alguém pode chamar uma pessoa de isto, (ça)?" _ lembranças de episódios grotescos nos quais sua mãe o chamava assim, em público. E seu encontro com Margueritte, um atravessamento mutativo em sua vida. Margueritte lê trechos escolhidos de seus autores prediletos para Germain; Cammus, entre outros. Germain nunca havia conseguido ler um livro, e escuta como quem descobre novo continente, maravilhado.
   Em um momento Germain reclama que jamais alcançaria o que Margueritte lhe revela, e esta responde: "_ Germain, você é um leitor"; ele retruca: "_ Como? Jamais pude ler um livro!"
E Margueritte afirma: "_ Sabe escutar, um leitor escuta, um leitor é um escutador".
   O filme surpreende do começo ao fim. É lindo!, alimenta a alma.
Eliane Accioly
Enviado por Eliane Accioly em 24/08/2011
Alterado em 06/09/2011
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