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Meu Diário
05/03/2012 13h03
Os cinco livros de Roberto Bolaño, em "2666"

Os cinco livros de Roberto Bolaño, em "2666"

 

Resenha de Eliane Accioly

de Roberto Bolaño, 2666.

Originalmente, pela vontade do autor, o livro publicado sob o nome de "2666" seria publicado em cinco livros, Lançado após a morte de Bolaño, surgiu como um livro de cinco capítulos. Obra de arte literária, única, eu diria, cada capítulo constitui em si um livro. Personagens transitam nos´diferentes livros/capítulos, em diferentes épocas de suas vidas, e uma cidade vai se constituindo como o lugar/espaço reunificador  das narrativas. Narrativas no plural porque a escritura de Bolaño, neste livro, é voluntáriamente fragmentada, feita de muitos fios, sem que nos percamos, e se sim nos perdemos, podemos nos reencontrar, e novamente nos perder. Digo voluntária porque Bolaño sabia passo a passo o que fazia. Um de seus recursos é quebrar a todo momento "o muro negro que separa o sonho da vigília"; ou desmanchar as fronteiras entre a sanidade e a loucura.

O personagem chave é o escritor Benno von Archuimboldi, candidato ao Nobel, figura mítica e histórica, no livro, e o ídolo de alguns críticos, que o tornam o leimotiv de suas vidas. Em torno de sua obra gravitam a vida de, pelo menos, quatro críticos. Archimboldi, em cuja história inicial (no último capítulo), como nascimento e infância nada nos levaria a crer que seria o escritor do porte em que se tornou. Nasce Hans Reiter, na Baviera, e luta na segunda guerra mundial, ele e seus parceiros de feleiras, que não tinham a menor ideia do que ali faziam. O eterônimo de Bolaño?

Descobri Roberto Bolaño lendo este livro, embora já houvesse escutado acerca do escritor chileno, morto prematuramente, talvez, das consequências de hepatite C.


Publicado por Eliane Accioly em 05/03/2012 às 13h03

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