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VIDA SE FAZ POR CONTÁGIO

Textos

Um dia alguém me falou: "somos nossas memórias"; falei para mim uau!! E quando temos Alzeimer?
Resenha de "A Árvore da Vida". Direção de Terence Malick. Com Brad Pitt, Sean Pen, Jessica Chastain.

A história (vida) de uma família comum americana dos anos 50 _ o pai, a mãe e seus três meninos, mostrada em uma perspectiva simultaneamente cotidiana e mítica. A fronteira entre essas dimensões_ a cotidiana e a mítica para o ser humano é tênue. Somos seres de hábitos e rotinas, e ainda assim, míticos, pois o contato com o outro, o mundo, o cosmos, assim como conosco é da ordem do mítico.  
As alegrias e dores, risos e brigas, brincadeiras entre as crianças ou entre os mais velhos, ou entre esses e seus pequenos. As profundas angústias não se encontram apenas no universo dos adultos, com seus sonhos e esperanças não realizados. Está em cada criança a medida em que se reconhece enquanto um ser no mundo, internalizando e vivendo conflitos com o pai ou a mãe, e assim marcado do bom e do ruim. Os afetos de amor e ódio vividos entre os os irmãos, mas principalmente com os pais.  O ser humano leva marcas para sua vida mais ampla, o grupo, o social, quando sai de casa.
Clarice Lispector acreditava que Deus era semelhante às forças da natureza _ assim, segundo ela, como Ele poderia cuidar de nós e conosco se preocupar? Ainda assim clamava : "Oh Deus, venha logo, antes que seja tarde demais".
O filme começa com uma citação bíblica do Salmo 33, de Jó, e cenas cósmicas monumentais.
A história se passa sob a ótica de Jack, o filho mais velho, que desde cedo manifesta uma enorme angústia na relação com o pai, mas também com a mãe, pois esta  não o protegia da violência paterna, como não se rebelava com eficiência contra a dureza do marido. Quando o pai viajava, sempre a trabalho, a mãe e os filhos se soltavam e se divertiam, mas precisavam dele, que vivia para sua família.
Para fazer frente à idade adulta Jack precisou num primeiro momento, romper com as lembranças da infância, esquecendo-as. Paradoxalmente se perdeu, alienado dele mesmo. Sentiu-se, então, traidor do pai e do irmão morto. Na tragetória de retomar e ressignificar suas memórias,  o seu resgate possível; caminhos pelos quais passamos de formas tão dirferentes, e tão semelhantes, feitos que somos da matéria humana, mortal e divina.
Eliane Accioly
Enviado por Eliane Accioly em 20/08/2011
Alterado em 04/02/2013


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